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Pensamentos aleatórios sobre a vida, a felicidade e a solidão

Ultimamente meu desprezo pela TV tem chegado ao ponto de não querer mais liga-la. Não estou a fim de ler nem jogar e o MSN é sempre o mesmo do mesmo. A única coisa que não dispenso é a música. Em uma noite quente de primavera eu pego uma Heineken da geladeira. A última Stella estava congelada. Olhando para o horizonte sobre a cidade em uma noite estrelada eu me ponho mais uma vez a refletir.

A vida é incrível e nem sempre nos damos conta disso. Mesmo sendo jovem, é revigorante pensar nas dificuldades que superamos, os amores e amigos que conquistamos e também os que perdemos. Pessoas que o influenciaram e as que influenciou. Que grandes conquistas tivemos e quantas outras ainda temos para realizar. Ao ver nosso presente através de um ponto de vista mais amplo, até mesmo os problemas que estamos enfrentando tornam-se uma inspiração. Podemos vislumbrar os objetivos que ainda temos que traçar para continuar com uma vida excitante.

Momentos como esse são a fonte da minha sanidade, pois me ajudam a descobrir de onde vim, onde estou, onde quero chegar e qual deve ser o meu próximo passo. Mas ao mesmo tempo são a fonte da minha loucura, pois percebo que a vida não possui uma regra. Os dogmas e padrões estabelecidos pelo senso comum são superficiais e transitórios. A felicidade é subjetiva e, principalmente, intangível. Sinto que erra aquele que a tem como meta, que acredita que irá conquista-la ao atingir determinado objetivo, conforme muitas vezes é prometido por alguma convenção social. A felicidade é intangível porque não é algo que será alcançado de fora, ela deve vir de dentro. A significativa diferença está em um detalhe sutil: não trata-se de ter, mas sim, de ser. O autoconhecimento, atingido através da reflexão, posicionando-se em um ponto do tempo-espaço da história da nossa vida, serve como força de ignição para meu bem-estar.

Quando ocupamos nossas mentes com qualquer banalidade que nos oferecem, temedo o sentimento de solidão e tédio, somos afastados do autoconhecimento que precisamos. As nossas mentes são gradativamente esvaziadas de conteúdo próprio, deixando-nos viciados no conteúdo fútil entregado. Funciona como uma droga que nos degrada a cada dia, preenchendo apenas os bolsos de quem lucra com a nossa ignorância.

Encarar a solidão e ficar confortável ao estar apenas comigo mesmo é tão necessário para o equilíbrio da vida como trabalhar ou ter amigos. Assim como entender que ninguém poderá dizer o que fará sentir-me bem, muito menos uma propaganda da Coca-cola. Prender-se a paradigmas é limitar o espaço em que poderei desenvolver minha felicidade, onde muitas vezes o terreno mais fértil está além das barreiras sutis, impostas até por mim mesmo. Portanto, superar meus limites é um desafio que tento encarar a cada dia.

Com isso eu não estou dizendo que você deva defenestrar sua TV e ir para um templo zen-budista. Até hoje nenhum radicalismo me provou ser saudável. Sugiro apenas que, se já não o faz, dedique sem medo um tempo sozinho e sem nenhuma distração para seus pensamentos, como TV ou Orkut. Ao procurar por distração, busque também os conteúdos, pessoas e ideias fascinantes que estão espalhados por aí em livros que não são best-sellers, filmes que não vão para o cinema, músicas que não tocam na rádio e ideias que não são proferidas por pessoas populares. Que a partir desses variados pontos de vista reflita e construa as suas próprias ideias, alimentando-as com humildade. E que ao mesmo tempo não esqueça de compartilha-las.