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Desafios do Brasil Digital

Durante os dias 18 à 21 de novembro eu tive a sorte e o prazer de estar no Fórum da Cultura Digital, realizado pelo Ministério da Cultura em São Paulo. Fui convidado a participar por fazer parte da comunidade online e, de alguma forma, estar presente nas discussões relevantes ao Fórum. O Fórum estava organizado em cinco eixos principais: 1) arte digital, 2) comunicação digital, 3) economia da cultura digital, 4) infraestrutura para a cultura digital e 5) memória digital. Um resumo do que foi produzido neste evento pode ser lido na Carta da Cultura Digital Brasileira.

Durante o evento eu pude conhecer pessoas e histórias fantásticas, que realmente me inspiram a acreditar no Brasil. Mais uma vez ficou claro como há pessoas capazes e comprometidas em construir um país melhor. Aprendi muito com todos que tive o prazer de conversar.

Apesar disso, o Fórum foi apenas mais um movimento na batalha para promover a inclusão social/digital e uma melhor distribuição de riqueza, tanto material quanto cultural. O maior resultado foi o destaque dos pontos que nós, como sociedade, devemos ter atenção:

Maior flexibilidade das leis de propriedade intelectual – é indiscutível que o modelo atual favorece apenas o intermediário, sem servir para o seu propósito atual, que é de estimular a criação.

Neutralidade da Rede – os provedores de acesso não podem filtrar e controlar o conteúdo trafegado. Ao mesmo tempo, os intermediários não podem ser responsabilizados pelo conteúdo que passa por suas redes.

Acesso universal à banda larga – o Brasil é um dos países com o pior custo/benefício de banda no mundo e apenas uma pequena porção da população tem acesso à banda larga. É indispensável a intervenção do governo para regularizar essa situação. Isso envolve o fornecimento de infra-estrutura de comunicação digital pelo Estado.

Os meios de garantir essas questões estão sendo disponibilizados. Está em andamento o Marco Civil Regulatório da Internet, as discussões sobre propriedade intelectual e o plano de banda larga do governo. É imprescindível a fiscalização de cada um de nós sobre essas questões. Devemos prestar atenção sobre as decisões tomadas e garantir que estejam a nosso favor. O governo por si só é incapaz de realizar qualquer mudança significativa sem a pressão do povo. A nossa arma é o barulho e a união a nossa força, devemos fazer uso dela.

Um marco para a nação brasileira

É isso que significa o Marco Civil da Internet Brasileira, que teve o processo de construção iniciado hoje com um evento na FGV do Rio. Este evento foi apresentado ao vivo por um stream de vídeo pela internet e teve um acompanhamento em tempo real via Twitter. Aliás, a união das duas ferramentas provou-se uma maneira fantástica de ampliar o acesso a um evento.

Este evento é um marco para toda a nação porque pela primeira vez será realizado a construção de um projeto de lei não apenas com a consulta popular, mas de forma completamente colaborativa. Além disso, esta iniciativa do Ministério da Justiça é uma prova contundente do poder que a manifestação civil tem para a construção do Brasil. Como foi reconhecido pelos próprios membros do governo, o barulho gerado em torno do PL Azeredo, mesmo que predominantemente pela internet, foi determinante para o recuo do governo e para a inversão do processo. Agora em vez de partirem da criminalização e vigilância da internet, partirão dos direitos que todo o cidadão deve ter, incluído privacidade e o direito ao anonimato.

Porém, apesar de a criação desse processo ser uma grande vitória para a sociedade civil brasileira, a guerra ainda não está vencida. Pôde-se notar que a própria visão da sociedade ainda é contraditória, especialmente de pessoas ligada à disciplina do Direito. Algumas pessoas parecem esquecer o nome no diploma que carregam e em vez de defender os direitos, concentram-se apenas numa visão criminal e punitiva, fazendo assim com que todo e qualquer um seja tratado como um infrator da lei, cerceando suas liberdades.

Agora cabe a nós fazer uso dessa oportunidade para construir algo que seja do verdadeiro interesse da sociedade brasileira. Garantiremos assim os direitos da nossa vida digital e principalmente defenderemos a nossa própria produção cultural perante aos interesses predatórios da grande indústria cultural internacional. Temos a chance de lutar também por um enfraquecimento e uma rediscussão das leis de propriedade intelectual, que favorecem apenas os intermediários, em vez dos verdadeiros produtores. O sucesso desse processo colaborativo abrirá precedentes para que outras leis sejam construídas dessa forma e assim será dado mais um passo em direção à silenciosa revolução que mencionei neste post. A sua participação é muito importante.

A próxima revolução será brasileira

Olhando para trás, na história, nunca fomos estáticos. O progresso e a transformação são inerentes ao ser humano. Por isso não é surpreendente que durante a nossa história, tivemos várias formas de governos e organizações sociais. Teocracias, monarquias, parlamentarismo, ditaduras, fascismo, comunismo e a democracia representativa são alguns deles.

O que todas essas formas de governo têm em comum é que cada uma teve um período em que várias nações adotaram simultaneamente. Apesar de umas terem provado serem melhores do que as outras, nenhuma provou ser definitiva. Atualmente, a democracia representativa é forma predominante e, especialmente durante um período pós-ditaduras, foi considerado um modelo ideal pelo povo que vive nela.

A realidade hoje começa a mudar, pois os problema da democracia representativa começam a ficar aparentes. A confiança em políticos está caindo no mundo todo. Para provar isto, recomendo um exercício rápido: use o tradutor do google para traduzir as palavras político, baixa e confiança para qualquer língua e depois faça uma busca com as palavras referentes a político e confiança. Agora conte a frequência que a palavra referente a baixa, ou alguma variação dela, aparece nos títulos. No Brasil, o nível de confiança é tão baixo que a própria palavra política já perdeu o seu sentido. Tudo que é associado a essa palavra perde valor. Está chegando a hora de tentarmos um sistema novo.

O Brasil está se tornando um dos terrenos mais férteis no cenário mundial para que um novo sistema de governo seja implantado. O primeiro argumento para defender esta visão é a própria falta de confiança nos políticos, que predomina com razão na opinião brasileira. Esta falta de confiança estimula que o povo apóie qualquer iniciativa plausível de alterar o sistema político.

Além disso, o Brasil é um país com uma maioria jovem, que hoje estão se tornando uma maioria adulta. Esta nova geração que está começando a assumir a produção do Brasil é a mesma geração digital, que chega com valores e idéias diferentes. É, principalmente, uma geração conectada. Isto permite que aprendam, que se comuniquem e se organizem de uma maneira nunca vista antes.

O Brasil é também um país com uma estrutura política estável e internacionalmente respeitada. Como o recente caso Honduras provou, o Brasil começa a gradualmente aceitar menos a influência estrangeira direta (representada especialmente pelos E.U.A.) e ao mesmo tempo começa a se impor no cenário mundial, exigindo posições na O.N.U. e em negociações do G8 dignos de sua grandeza. Apesar de parecer contraditório, essa estabilidade é uma vantagem pois permite que uma revolução seja feita pacífica e gradualmente, o que seria algo inédito, já que até então todas as grandes mudanças foram armadas. Também, ao contrário de países como o Irã, que estão passando por crises políticas, no Brasil temos algo concreto (e, pode-se dizer também, estático) para mudar, o que acaba sendo outra vantagem. Por fim, este bom momento brasileiro, premiado com a vinda das Olimpíadas, aumenta a auto-estima do povo, fazendo com que acredite no país e que sinta-se motivado para transforma-lo em algo ainda melhor.

Se você, assim como eu, acredita em um país melhor, não perca tempo, pois a revolução já começou. Coletivos estão se formando e as pessoas estão agindo. Alguns exemplos são o projeto Esfera, que promoveram o Transparência Hackday; o Parlamento Aberto e o Congresso Aberto, que buscam aumentar a transparência política; e o Partido Pirata Brasileiro, que está começando a se organizar aqui no país para trazer a política para a era da internet. Todos estes projetos estão abertos a sua participação, e um bom começo é entrar nas listas de email que você encontra nos sites. Pense em como você pode ajudar na sua cidade ou no seu bairro. Que tal começar a mudar as coisas?

Em busca dos Heróis

herois

O impacto que a cultura e os exemplos causam sobre nós e, por consequência, a sociedade como um todo é indiscutível. Já percebeu como os filmes e histórias norte americanas enaltecem os grandes feitos da sua nação e seus grandes personagens? Acham que o fato de os E.U.A serem o país mais poderoso do mundo é apenas uma coincidência? Não é uma consequência direta, mas sem dúvida influencia.

Pensando nisso eu comecei a me perguntar quem são os grandes heróis brasileiros. Em uma rápida pesquisa no Google pelo termo “Heróis brasileiros” eu só encontrei textos sobre histórias em quadrinhos e dois textos superficiais. Buscando pelos termos “grandes brasileiros” eu consegui alguns nomes em uma página do Yahoo! Respostas. Só.

Antes, vou apresentar a minha definição de Herói: aquele que, através de seus valores e suas ações acompanhadas por seu grande esforço, habilidade ou conhecimento, causou uma melhora significativa para a sua vida e/ou para as vidas das pessoas a sua volta.

Heróis dos livros

Ao falar em grandes brasileiros, rapidamente vem a mente nomes como Ayrton Senna e Santos Dumont, que realmente foram grandes heróis. Para buscar outros heróis brasileiros podemos olhar os nomes das ruas ou institutos. Já deve ter ouvido falar de Oswaldo Cruz, mas sabe por que ele é um grande brasileiro? Quão bem você conhece Santos Dumont e seus feitos?

Olhando especificamente para o Rio Grande do Sul vem a mente nomes como Bento Gonçalves, Garibaldi (que sequer era brasileiro) ou até mesmo Getúlio Vargas. O Gaúcho, dependendo do seu nível de tradicionalismo, conhece bem suas histórias. Mas estes são raros. Quem sabe me contar uma história em que estas pessoas demonstram seus valores e se provam heróis por suas ações?

(anti-)Heróis contemporâneos

Também estive observando as pessoas que estamos tendo como exemplo agora. O meu critério para isso foi observar as pessoas que são destacadas com regularidade na mídia. Atualmente temos muitos esportistas em destaque, em especial César Cielo e Fabiana Murer. Já tivemos Daiane dos Santos e Ronaldo Fenômeno, além de muitos outros. Isso é bom, mas não é o bastante.

Por outro lado, quem vemos todo o dia na mídia e na nossa conversa diária são exemplos bem diferentes. O papo dos políticos, hoje representado pelo Sarney, que demonstram que a mentira, falsidade e mau-caráter levam a grandes riquezas e impunidades já está cansado e batido, apesar de recorrente. Mas o que realmente me entristece é ver como a mídia enaltece e influencia com péssimos exemplos, que podem ser colocados em três tipos:

1) Coitados que ganham casas ou carros de apresentadores de TV. Muitos são exemplos de alegria e perseverança, mesmo com condições de vida precárias. Porém a mensagem “seja alegre e perseverante que um dia alguém vai te dar uma casa nova e realizar seu sonho” não ajuda ninguém. Uma vida de sofrimento por si só não torna ninguém em herói.

2) Personagens de novela e artistas. Sei que nos identificamos com personagens e por isso gostamos de ver determinada série ou novela, isso é natural. Mas quando passamos a querer ser como determinado personagem porque nos identificamos com ele ou porque ele é popular, a coisa perde o sentido. É como querer mover-se apenas para o lado, ou em círculos. Não há progresso, não é querer tornar-se de fato uma pessoa melhor. Me dói escutar “are-baba” ou “mara”. Acreditar que os artistas são exemplos de sucesso ou dignos de serem seguidos como pessoa é próximo ao absurdo. É fato que a grande maioria é extremamente vazia e problemática. Há exceções, sim, porém dificilmente são essas exceções que as pessoas admiram.

3) O culto ao burro, ao banal e ao vulgar. Um exemplo prático: Pânico na TV. É avassalador ver alguém como o Zina ser cultuado pelas pessoas. É de chorar ver as pessoas rirem de um quadro onde um cara se sujeita ao ridículo pelo prazer de ser ridículo. Eu sou grande fã do humor non-sense, mas por favor, não comparem isso com o non-sense! O Pânico na TV é a estupidez corrente no Brasil jogada na cara. E tem gente que acha que aquilo é o legal.

Os verdadeiros Heróis

Com os valores cultuados hoje em dia, garanto que é ainda mais difícil resisitir para tornar-se um herói. Pois aquele que realmente cultiva bons valores e luta pelo o que acredita ser o certo é visto como a pessoa que está errada. É o diferente.

Por outro lado, não precisa de muito para tornar-se um herói. Não tenho dúvidas de que existem muitos heróis vivendo neste estado e neste país. Mas suas histórias são ignoradas e seus feitos desprezados. Por que não prestamos mais atenção nessas pessoas? Por que não são feitos mais filmes, músicas, livros e documentários sobre esta gente?

Você conhece outros Heróis que são dignos de serem mencionados? Sabe de algum lugar onde essas pessoas são devidamente valorizadas? Coloque nos comentários. Qualquer opinião é bem vinda, eu também adoraria que provassem que estou enganado.